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Dia do Dublador: Entrevista com Beatriz Pimenta

No cotidiano é muito comum assistir a desenhos animados, filmes e séries no nosso idioma, mas como uma série feita em outro país tem o nosso idioma? A resposta para essa pergunta é única, graças ao trabalho de um Dublador isso acontece.

Um dublador é um profissional que cede a sua voz a um personagem, interpretando suas falas, em idiomas específicos, diversos personagens ou apenas um. As áreas de atuação são vastas, indo desde dublar jogos até dar voz à audiobooks( gravação narrando conteúdo do livro).

Em homenagem ao Dia do Dublador que é comemorado hoje, dia 29 de junho, entrevistamos a dubladora e também aluna da Escola Gente, Beatriz Pimenta, para contar um pouco sobre como é ser dubladora no Brasil e tão nova e ainda dicas para quem quer se aventurar nesse ramo.

  1. Quantos anos você tem e em qual série está?

Eu tenho 17 anos e estou cursando o 3º ano do ensino médio.

  1. O que te impulsionou a ser dubladora tão nova?

Bom, no início eu não fazia ideia que a dublagem existia e que haviam pessoas por trás das animações que eu via na televisão. Na verdade, inicialmente, eu pedi aos meus pais para fazer o curso de interpretação para TV, entretanto minha mãe não gostou da ideia e achou melhor me colocar no curso de dublagem. Quando comecei o curso, me apaixonei! 

  1. A quanto tempo você dubla?

Profissionalmente há uns cinco anos. 

  1. Como foi o seu primeiro trabalho? Pode citar alguns deles?

Meu primeiro trabalho foi uma participação em “Walt Disney nos bastidores de Mary Poppins”. Lembro que eu fui fazer a dublagem achando que era um teste, já que anteriormente eu havia feito um para outro trabalho. Após a dublagem, cheguei na diretora e perguntei “E aí?! Passei no teste?”, ela ficou sem entender nada e disse que na verdade eu já havia dublado. Quando o filme estreou fiquei extremamente feliz e sem acreditar! 

Capitão Fantástico (Zaja), Good Girls (Emma), Transplant (Amira), Olívia (Princesa Stephanie), A Hora do Rush (Soo Young), Two Sentence Horror Stories (Gracie), Toys Of Terror (Zoe), B Positive (Maddie)…

  1. Quais são as suas influências dentro do ramo?

Ana Lúcia Menezes (infelizmente faleceu esse ano, mas tive aulas incríveis com ela e nunca a esquecerei), Guilherme Briggs, Bianca Alencar e Ana Elena Bittencourt.

  1. Como está sendo para você ser dubladora em uma pandemia?

Bom, para mim inicialmente os trabalhos haviam dado uma pausa. Como os estúdios estavam mais parados e eu não montei um mini-estúdio em casa, não havia possibilidades para que eu trabalhasse. Mas agora, com todas as medidas restritivas por conta do Covid-19, os estúdios reabriram e tudo está lentamente se encaixando. 

  1. Qual foi a dublagem mais importante que já realizou? E qual foi o mais difícil?

Com certeza o mais importante foi a Nina de “O mundo de Nina” que está disponível na Globoplay, fiz a personagem principal e o desenho é muito fofinho. O mais difícil acho que foi a Emma Grossman (Mckenna Grace) no filme “Tara Maldita” por ser uma personagem extremamente fria e calculista.

  1. Pretende seguir na carreira?

Se tudo der certo, com certeza!! 

  1. O que você mais escuta dentro da área?

Sobre produtos (filmes, séries, desenhos, etc) e nos mestres da dublagem. Todos tem uma admiração incrível pelos colegas de trabalho e estão sempre comentando sobre os grandes feitos dos outros! 

  1. Como você concilia a escola com o trabalho?

Bom, sempre que tenho uma dublagem marcada no período da manhã (que é o turno que estudo) peço para que remarquem. Quando fico atolada de horários marcados tento ir adiantando os trabalhos de escola, e quando é época de provas estudo enquanto espero minha hora de entrar no estúdio. 

  1. Você acha que existem limitações por conta da idade como dubladora?

Sim. Como ainda sou relativamente nova e tenho a voz fina de natureza, sinto certa dificuldade em dublar adolescentes e não consigo dublar adultos. Mas tirando isso e a necessidade de um responsável para assinar meus documentos (algo semelhante a uma liberação do uso da minha voz) por eu ser menor de idade, não vejo outras limitações. 

  1. O que você pode dizer para quem quer trabalhar com dublagem, mas se sente inseguro? 

Vai, só vai! A dublagem é uma profissão incrível e extremamente divertida. Você recria, dá personalidade e traz características únicas para produções que o Brasil inteiro irá assistir! Não se sinta inseguro, pra tudo nessa vida há uma primeira vez…dê o primeiro passo entrando em um curso e seja feliz hahaha! Uma dica: entrar em um curso de teatro é primordial e, para somar, saber cantar seria bom demais.